quinta-feira, 8 de outubro de 2015

BIOGRAFIA de CAMILO CASTELO BRANCO


UM DOS AUTORES CLÁSSICOS QUE MAIS ADMIRO,NÃO SÓ PELA SUA QUALIDADE LITERÁRIA, MAS TAMBÉM PELA SUA VIDA RECAMBOLESCA!


Infância

De nome completo Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco, nascido em Lisboa  a 16 de Março de 1825, na freguesia dos Mártires, num prédio da Rua da Rosa (atualmente divido entre o número 5 e o 13).
Casa onde nasceu Camilo Castelo Branco
Casa em Lisboa onde nasceu Camilo Castelo Branco
Oriundo de uma família, pelo lado paterno, da aristocracia de província, com distante ascendência cristã-nova, era filho de Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco, homem com uma alcunha hereditária de “O Brocas”.
O pai foi uma figura que esteve sempre envolvida em escândalos e distúrbio, já desde o tempo em que estudava em Coimbra, chegando a estar envolvido em atividades fraudulentas, pelo menos por duas vezes na sua vida, e preso na Cadeia da Relação do Porto, de onde saiu por influências do pai que exercia o cargo de juiz. Depois levou uma vida errante entre Vila Real, Viseu e Lisboa e foi ao longo da sua vida um mulherengo que teve várias amantes.
Uma delas, Jacinta Rosa do Espírito Santo Ferreira, filha de modestos pescadores, acabaria por ser mãe de Camilo Castelo Branco e da sua irmã, Carolina. Mas, diz-se que pela imposição da avó paterna de Camilo, que não queria que o nome Castelo Branco estivesse envolvido com alguém de tão humilde condição, Camilo acabou por ser registado como sendo filho de mãe incógnita.
Os pais de Camilo nunca se chegariam a casar e com a morte da mãe, quando Camilo tinha apenas 1 ano de idade, o pai pôs os filhos ao cuidado das várias mulheres com quem se envolvia.
Poucos anos mais tarde, quando Camilo tinha apenas dez anos de idade o pai faleceu. A sua morte não passou despercebida a Camilo, acabando-o por lhe criar, como o próprio diria mais tarde, “um caráter de eterna insatisfação com a vida”.
Segundo alguns, Manuel morreu de cólera, no entanto, outros, incluindo o filho, alegam que morreu louco.
Apesar dos devaneios, Manuel não deixou a sua prole totalmente desamparada. Antes de morrer fez uma escritura de perfilhação, tal era a preocupação com o futuro da prole ilegítima, em que reconhecia Carolina e Camilo como seus filhos. O nome da mãe, no entanto continuou ocultado nos registos.
As economias que fez ao longo da sua vida ficaram para os dois irmãos: do seu espólio fazia parte a Quinta de Montezelos, no Norte; uma casa na Rua da Piedade, em Vila Real, alguns bens modestos e o montante de dois contos de réis.

Juventude

Os dois irmãos, órfãos de pais, foram recolhidos por uma tia de Vila Real que se encarregou de os educar.
Antigo Postal de Vila Real
Vila Real nos finais do século XIX (Avenida Carvalho, vista do Seminário)
Através da tia recebeu uma educação básica irregular dada por dois Padres de província. Formou-se no meio da pacata vida transmontana, lendo os clássicos portugueses e latinos e literatura eclesiástica.
Uns anos mais tarde, com o casamento da irmã Carolina, que era mais velha, foi com ela, sob sua guarda, aos treze anos, para as imediações de Vila Real. A sua permanência em Vila Real acabaria por influenciar muitos contos e novelas, que escreveria mais tarde, passadas em cenário Minhoto, nomeadamente as chamadas “Novelas do Minho”.
 Com apenas 16 anos, decide, à revelia da irmã, casar-se com Joaquina Pereira de França, de 14 anos, filha de lavradores, e instala-se com ela numa casa em Friúme, no distrito de Vila Real. O casamento precoce parece ter resultado de uma mera paixão juvenil e não resistiu muito tempo. O jovem casal desentendia-se e discutia frequentemente e demorou menos de um ano para Camilo sair de casa, deixando a esposa, grávida de uma filha, para voltar para a casa da irmã.
Um ano depois de se ter casado (1841) decide que quer entrar para a universidade e para isso muda-se para a terra de Granja Velha para poder estudar com um Padre-tutor e preparar-se para os exames de admissão. Um ano depois consegue ingressar na Escola Médico-Cirúrgica na cidade do Porto.
Revolta da Maria da Fonte
Revolução da Maria da Fonte ou a Revolução Popular do Minho
No Porto, o seu caráter instável, irrequieto e irreverente fá-lo ingressar por uma vida estudantil boêmia e leva-o a amores tumultuosos com Patrícia Emília do Carmo de Barros e uma freira, de nome Isabel Cândida. Tal vida fá-lo descorar os estudos e não chega a concluir o curso de medicina.
Em 1846, publica os seus primeiros trabalhos literários no jornal “O Nacional” no qual passara a trabalhar como amanuense. Esse posto, segundo alguns biógrafos, surge a convite após a sua participação na revolta popular chamada Revolta da Maria da Fonte, ocorrida na primavera de 1846 contra o governo da altura, em que terá combatido ao lado da guerrilha Miguelista (monárquica) contra os liberais (que pretendiam a instauração em Portugal de um regime constitucional.). As suas irreverentes correspondências jornalísticas valeram-lhe agressões físicas na rua por diversas vezes que o levaram ao hospital.
Nesse mesmo ano de 1846, em que passa a viver com Patrícia Emília do Carmo, morre a sua legitima esposa. A filha de ambos morre no ano seguinte. Patrícia Emília do Carmo, por sua vez, engravida, mas a sua relação com Camilo passa então por uma série de desavenças que leva Camilo a romper com a relação e a fugir, novamente, para a casa da irmã, residente nessa altura em Covas do Douro na região de Trás-os-Montes. Tinha então 21 anos.