quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Alimentar a Paixão


 Também é preciso cuidar das emoções.





 
 Não será novidade que a paixão e o amor são vivos, e isto quer dizer que, tal como acontece com um qualquer ser vivo, também estes dois vínculos emocionais precisam ser alimentados, cuidados, e ter a oportunidade de respirar.

Ao contrário dos "corpos brutos", como lhes chamava o francês Claude Bernard, corpos que se podem abandonar sem necessidade de qualquer cuidado, os "corpos vivos", como uma planta, uma pessoa ou o amor ou a paixão, precisam de cuidados quase permanentes. Infelizmente é comum assumir que o amor está garantido, especialmente depois do casamento; uma ideia errada alimentada por frases feitas, embora erradas, como "até que a morte nos separe".

Um beijo sem esperar, uma palavra ou frase bonita, um passeio a dois num local bonito, uma noite de sexo com práticas nunca experimentadas, ajudam a redescobrir um sentimento já antigo. E a juntar a todas estas fontes de luz e de alimento para o amor, as sempre bem vindas palavras, repetidas tantas vezes e que nunca cansam, reafirmando o amor que se continua a sentir.

A paixão e o amor são vivos, e por isso precisam ser alimentados. E quando um dos dois começa a reclamar não ser preciso estar sempre a dizer o mesmo, muito provavelmente já é tarde, as raízes já secaram, as folhas já estão a cair, e dificilmente esta árvore que é o amor terá salvação.

Por isso, o melhor é mesmo introduzir o hábito de sempre reafirmar a paixão e o amor, nunca fazer parecer que não é necessário dizer ainda mais uma vez; pelo contrário, o melhor mesmo é fazê-lo, e ensinar quem nos acompanha nesta caminhada da vida a fazer o mesmo, e desde o princípio. E a maravilha, a beleza, é que a cada nova repetição das palavras bonitas de amor e paixão, parece que a energia se acende novamente dentro de nós, e que novamente tudo parece recomeçar.

Sei que para alguns tudo isto parece lamechas. Sei que muitos sorriem discretamente perante estas ideias; mas a verdade é que a falência de tantos amores, ressequidos e acabados pela falta de alimento, me fazem ter vontade de repetir, e repetir, e repetir ainda mais uma vez, estes conselhos.

Quintino Aires

www.oquintinoexplica.pt