quarta-feira, 28 de outubro de 2015

A LÓGICA DA FOFOCA E SEU CARÁTER DESTRUTIVO

Gosto de Ler, Gizela Saraiva 





A fofoca pode se apresentar de três formas:

1° Como reprodução de algo que de fato ocorreu

2º Como produção de algo que não ocorreu (mas que o fofoqueiro gostaria que tivesse ocorrido)

3º Como uma tentativa de dizer a outra, aquilo que a pessoa (o fofoqueiro) não teria coragem de dizer a quem o atingiu.

No primeiro caso, quando alguém apenas reproduz um fato ocorrido, ele faz um processo semelhante a um noticiário de jornal. A diferença é que não há ética profissional alguma em sua atividade. Além de fazer com que uma informação privada torne-se pública sem nenhuma causa aparente.

Neste caso, a fofoca é o ato de tomar posse de uma informação que geralmente faz parte da vida pessoal e individual de alguém e reproduzir para outras pessoas. Isso faz com que o assunto seja conhecido e discutido por todos, sem o conhecimento e o consentimento da vítima.

Como cada pessoa que recebe essa informação tende a interpretar de uma forma particular, aos poucos o assunto vai sofrendo mudanças, podendo até transformar-se em inverdade.

Mas aí já vamos entrar para o segundo caso: Quando o fofoqueiro produz uma informação inexistente. De acordo com o que ele gostaria que tivesse acontecido ou de repente com o que ele pensa que aconteceu.

Como o fofoqueiro é muito elétrico e tem a necessidade de expressar sentimentos e informações alheias, ele precisa falar rápido e bastante, esquecendo muitas vezes de raciocinar, pensar sobre o que está falando. Mas como a informação que ele manipula não é sua, então ele não se preocupa muito com o que ela pode causar. Na verdade, o que ele precisa é falar, falar, falar...

Nesse processo de criação, às vezes ele de fato inventa algo que nunca aconteceu, de forma consciente, para obter vantagens ou aprovação dos outros.

Algumas vezes, faz uso de uma informação verdadeira e adiciona alguns fatos não existentes para que o seu discurso seja mais favorável ao seu objetivo. Seria o que chamamos de “meia verdade”, que não deixa de ser uma mentira.

Porque na realidade, uma palavra, um suspiro pode mudar toda a entonação de um discurso, fazendo com que muitas vezes ele expresse uma idéia até contrária á realidade. Por isso, se a verdade não é dita exatamente como ela é, pode se tornar uma mentira.

A terceira derivação da fofoca é o desabafo a terceiros. Ou seja, a pessoa não consegue expressar seus sentimentos ao outro que o atingiu, então resolve fazer isso com outras pessoas as quais ela se sente a vontade.





Esse tipo de atitude é regido por uma profunda insegurança, mesmo porque, se a pessoa estivesse de fato segura, iria ao encontro da outra e falaria sobre seus pensamentos e sentimentos.Mas como não tem certeza, resolve desabafar com os outros e com isso buscar um pseudo-encorajamento. E é exatamente aí que mora o perigo!

Porque em busca desse encorajamento, como ela precisa ser aprovada pelos outros, tende a fazer com que a outra pessoa (a que lhe atingiu) seja desaprovada. É aí que começam os artifícios maldosos: As tentativas de caluniar, denegrir a imagem do outro, para que com isso seja tida como “certa” e passe a se sentir mais segura.Ou seja, o que seria apenas um desabafo, passa a ser uma atitude extremamente leviana e com requintes de maldade.

O fato é que em todos os casos, a fofoca é derivada da covardia e da falta de ética. Primeiro porque uma pessoa que aprendeu a ser ética, jamais irá reproduzir fatos alheios sem o consentimento do outro, mesmo porque, são muitas as situações adversas que uma atitude de fofoca pode causar.

E segundo que toda pessoa covarde precisa da fofoca para desabafar sobre si e sobre os outros. Porque no fundo ela se sente fraca para dizer as coisas diretamente a quem se destina. Ou pelo medo da desaprovação ou muitas vezes por não ter certeza mesmo do que está dizendo.

Já imaginou? Uma pessoa ser capaz de prejudicar a imagem e a reputação de outra sem ter sequer certeza do que diz?

E o pior é que em nossa sociedade, esse tipo de atitude não é tido como algo grave, muitas vezes sendo encarado até como engraçado e sem grande importância. Por isso, na maioria dos casos, essas pessoas não são denunciadas e não pagam por seus atos. E assim continuam caluniando, denegrindo, promovendo infelicidades e insucessos.

Os fofoqueiros em sua maioria são carismáticos, engraçados e desta forma são absorvidos por suas maldades, tornando-se parte integrante de uma cadeia em que os cúmplices um dia serão as vítimas. Ou vocês acham que alguém escapa?

Não, ninguém escapa!Mesmo porque o fofoqueiro não tem amigos, tem ouvintes. E no dia que ele sentir o desejo irresistível de falar, não vai poupar nomes, nem do seu mais fiel ouvinte.

E se precisar tirar vantagem de uma situação, vai usar de todas as suas habilidades, caluniando e difamando o quanto puder para atingir os seus objetivos.

Uma da formas de raciocínio em que pode fazer com que uma pessoa possa se proteger de um fofoqueiro é observar a forma com que ele se comporta com os outros, principalmente com os mais próximos.

Por exemplo, você quer saber como o seu namorado vai se comportar com você se um dia terminarem? Observe a forma como ele se comporta com a ex! -Ah, mas as situações são diferentes! A ex que era a culpada! - É, pode até ser, mas uma pessoa que denigre a imagem de outra que fez parte da sua vida(mesmo que seja culpada) não é digna de confiança.

Terminar uma relação e ficar triste, decepcionada e até com raiva é normal. Ninguém termina porque está tudo ótimo. Mas daí a denegrir a imagem do outro, já é outra história...

Ninguém controla os sentimentos, é verdade!Mas as palavras sim. Ao menos que seja um fofoqueiro! Porque este realmente não consegue não falar, é mais forte que ele!

Observe como essa pessoa se refere aos parentes e amigos, em especial os amigos mais próximos. E ao invés de se sentir especial quando ela vier falando de um segredo sobre fulano ou beltrano porque diz que confia em você, pense que esse segredo poderia ser o seu. E acredite, um dia será!

Volto a dizer: Fofoqueiros não têm amigos! Eles até tentam,mas não resistem ao prazer de se apropriar do mundo do outro e tirar risadas, suspiros e vantagens com isso.

Ele ri, mas no fundo sua vida não é engraçada, porque no seu intimo mora alguém covarde que não tem certeza de nada seu, então brinca de criar falsas convicções sobre a vida dos outros.