sexta-feira, 25 de setembro de 2015

O PERIGO DO MEDO



“O mais duro era não se deixar levar pelo pânico. O pânico chegava sempre à noite. Podia ouvir o medo crescer dentro dela e não podia fugir. Virava e revirava no colchão sem conseguir dormir. Pagar as prestações do apartamento, as taxas do imóvel, os impostos, as lindas roupas de Hortense, a manutenção do carro, os seguros, as contas de telefone, a mensalidade da piscina, as férias, as entradas para o cinema, os sapatos, os aparelhos de dente… Enumerava as despesas e, com os olhos arregalados, aterrorizada, se enrolava nas cobertas para não pensar mais. Às vezes, acordava de vez, sentava na cama, fazia e refazia as contas em todos os sentidos para constatar que não, não ia conseguir, embora durante o dia os números tivessem dito sim! Acendia a luz, em pânico, e ia procurar o pedacinho de papel onde tinha rabiscado suas contas. Refazia tudo em todos os sentidos até reencontrar… seu bom-senso e apagar a luz, exausta.
Tinha medo das noites.”
Em: Os olhos amarelos dos crocodilos, Katherine Pancol, Rio de Janeiro, Suma das Letras:2012, p.82