terça-feira, 8 de setembro de 2015

O cinema pessoal de Robert Redford


"Bonito, irreverente, talentoso, inteligente, charmoso. Todos os adjetivos que, de fato, balançam as pernas e o coração de qualquer mulher. Um cineasta maduro, que já viu exatamente para onde é que se leva a fama e como é que se vive a vida. Afirma ser o seu cinema muito pessoal.




Ver os trabalhos de Robert Redford é como folhear o seu diário ou olhar dentro de sua alma, porquanto seus trabalhos são também confirmadamente passionais.

Modelo, ator, produtor, diretor, empresário, ativista, ambientalista, filantropo - essas são apenas algumas das actividades da multifacetada personalidade de um dos homens mais reverenciados de Hollywood.

Robert Redford é polivalente. Driblou uma personalidade dificílima, assim como sua infância, superou a pressão da trajetória artística e da fama – por vezes impiedosa – reconheceu o próprio potencial e revolucionou a própria realidade com talento e devoção.

Além de ser dono de uma voz inebriante – famosa característica do ator, a qual lhe rendeu inúmeros trabalhos – sua beleza na juventude o transformou em um “sexy symbol” dos mais ovacionados. No entanto, tal estigma criado em volta de seu corpo e rosto perfeitos lhe desagradava em demasia. Em diversas entrevistas deixou muito claro sua aversão ao “status” alcançado. Apesar de seus constantes protestos, não conseguiu ofuscar a imagem de galã e foi considerado um dos homens mais atraentes da indústria cinematográfica de todos os tempos. E ainda hoje, no auge de sua maturidade, aos impressionantes 74 anos, mantém um fiel charme e elegância.

Barefoot In the Park, Life cover.

Antes de iniciar carreira no cinema, atuou na Broadway. Depois de alguns sucessos no palco, rumou para as telas na década de 60. Em pouco tempo construía uma carreira sólida e respeitável. Famoso por seu ilustre intelecto e simpatia, Redford conquistou milhares de fãs por causa de seu incontestável talento. Ficou durante muito tempo entre os cinco atores mais rentáveis de Hollywood, com papéis marcantes ao lado de grandes astros que também estavam em ascensão, como Natalie Wood, Tom Skerritt e Paul Newman.

Sempre muito introspectivo e com uma visão filosófica acerca do mundo e das relações do homem, Redford ficou cada vez mais criterioso na escolha de papéis e resolveu fazer trabalhos próprios que refletissem, de algum modo, sua visão de mundo. Foi então que começou a dirigir.

 Lions for Lambs,2007

Hoje possui um currículo que reúne convicções, pensamentos, lembranças e crenças do próprio artista. Além de inúmeros filmes protagonizados, produzidos e dirigidos, ele também fundou o conceituado “Sundance Film Festival”, realizado no estado americano de Utah, que reúne anualmente produções do cinema independente mundial, sendo o maior evento da categoria.

Entre os seus trabalhos destacam-se Ordinary People, primeiro filme que dirigiu, abocanhando o Oscar de “Melhor Diretor”; The Horse Whisperer, A River Runs Through It, vencedor do Oscar como “Melhor Fotografia”, além de ter sido indicado nas categorias de “Melhor Roteiro Adaptado” e “Melhor Trilha Sonora” e Lions for Lambs – uma feroz crítica ao governo dos Estados Unidos e a sua posição na guerra do Afeganistão. Crítica, entretanto, muito bem disfarçada com um roteiro quase ambíguo. O filme foi convenientemente abafado pela crítica e por causa disso a repercussão foi controlada. Redford não se queixa, pelo contrário: viu a eficácia de seu trabalho. E deixa claro seu ponto de vista, fazendo desta obra, como de todos os seus filmes, a voz para manifestar-se sobre alguma importante questão.

 The Conspirator, 2010.

Consciente de sua grande influência, Robert Redford usa e abusa de sua imagem para promover causas ambientais e sociais. É patrono dos direitos humanos, artes e meio-ambiente. Além disso, apoia publicamente candidaturas dentro de suas convicções políticas".


Confira abaixo o “behind the scenes” de seu mais novo trabalho, The Conspirator (2010, EUA).

 publicado  por rejane borges.





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