quarta-feira, 30 de setembro de 2015

O AMOR DE MARGUERITE DURAS



Morreu Yann Andréa, escritor francês,aos 63 anos, autor de Aquele Amor (Quetzal), onde contava a sua estranha história de amor com a escritora Marguerite Duras. Andréa foi encontrado morto esta quinta-feira no seu apartamento em Paris. O jornal Le Monde diz que as causas da morte não foram divulgadas, mas acrescenta que a polícia não as considera, para já, suspeitas.
A história de amor entre a escritora Marguerite Duras (que morreu a 3 de Março de 1996) e o estudante de Filosofia Yann Lemée (Andréa era o nome que Duras lhe deu) começou quando ele vivia em Caen, e descobriu o livro de Duras Os Cavalos de Tarquínia(ed. D. Quixote). Era 1975, nesse ano a escritora foi ao cinema Lux, em Caen, onde foi exibido India Song, para participar num debate. Yann pensou levar-lhe flores, mas não teve coragem. No final da sessão pediu-lhe um autógrafo no livro Détruire, dit-elle e disse-lhe que gostava de lhe escrever. Duras deu-lhe a morada de Paris.
No dia seguinte Yann escreveu-lhe pela primeira vez e nunca mais parou, durante cinco anos até 1980, ano em que ela lhe respondeu pela primeira vez, enviando-lhe Homme assis dans le coulouir. Ele não sabia o que pensar do livro e não lhe respondeu.
Ela enviou novo exemplar, pensou que o outro se perdera. Ele passou pela casa dela de Paris, mas não teve coragem. Ela, mais tarde, escreveu-lhe a dizer que esteve doente por causa do álcool, que leu todas as cartas que ele lhe escrevera.
Em Julho ele ganhou coragem, telefonou-lhe e ela pediu-lhe que fosse ter com ela. Ela tinha 66 anos, ele 28 e era homossexual. Viveram juntos desde 29 de Julho de 1980 até 3 de Março de 1996, dia da morte da escritora. Dezasseis anos.
Em  Aquele Amor (Cet Amour-Là  que foi publicado em França em 1999 e adaptado ao cinema por por Josée Dayan) Yann Andréa contava tudo isto. Tal como Margarite Duras já o tinha feito no livro Yann Andréa Steiner (ed. Livros do Brasil): "Depois do filme, um debate em que tu participaste. Depois do debate fomos a um bar com o grupo dos jovens estudantes de Filosofia a que tu pertencias. Depois, muito tempo depois, foste tu a lembrar-me da existência desse bar, elegante, agradável, e também que nessa noite eu tinha bebido dois uísques. (…) Foi depois dessa noite que me começaste a escrever cartas. Muitas cartas. Às vezes era uma por dia."(...)
PÚBLICO 2014