segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Não criticar! Não criticar a quem quer que seja!






“As críticas não são outra coisa que orgulho dissimulado. Uma alma sincera para consigo mesma nunca se rebaixará à crítica. A crítica é o câncer do coração.” (Madre Teresa de Calcutá)


"Todos nós temos o hábito de criticar e somos quase sempre inconvenientes e mal interpretados quando decidimos opinar sobre algo que observamos no outro e que julgamos ser um defeito, principalmente em situações nas quais a nossa opinião não foi solicitada. O ideal é opinar apenas se nos pedem ou em momentos nos quais avaliar e criticar é parte da função, como acontece nos casos da aprendizagem, por exemplo, quando um professor precisa opinar e criticar utilizando uma forma adequada de comportamento. As motivações que levam as pessoas a agir de modo crítico em relação aos outros são variadas. Qualquer que seja a motivação, os indivíduos que costumam agir de modo crítico acabam sempre errando, pois tornam a relação com o outro vulnerável visto que as críticas - mesmo as construtivas - são quase sempre recebidas e interpretadas como agressão. Praticamente todas as críticas que alguém recebe sem ter solicitado gera um desconforto destrutivo e por isso comprometem os relacionamentos. Ninguém gosta de ser criticado - essa é a verdade.

Poucas são as circunstâncias nas quais uma crítica é de fato construtiva e necessária. As críticas construtivas costumam acontecer a pedidos, ou seja, quando alguém solicita a opinião sincera do outro que lhe é confiável. Nas relações afetivas as pessoas são bem mais sensíveis às críticas e nesses casos é preciso cuidado em dobro. Ser criticado por quem se ama machuca. Uma crítica nesses casos só deve acontecer quando for mesmo muito necessária e ainda assim, deve ser feita com muito carinho e cuidado. Existem indivíduos que se comportam sempre de forma muito crítica com os outros e que defendem de uma forma rígida tudo o que acreditam. Eles costumam ter supostas convicções muito sólidas e agem de modo radical. Acreditam estarem sempre certos e concluem que o que está errado, de acordo com sua visão, deve ser mostrado. Esse tipo de pessoa não tem muita autocrítica, não costuma olhar para dentro de si nem refletir sobre seus atos; apenas acredita ter posse de uma espécie de "manual do certo/errado” e se acha no direito de ensinar isso aos outros. Eles falam tudo o que pensam, mesmo sem terem sido questionados e criticam a todos os desiguais.

As pessoas críticas quase nunca percebem os danos que sua conduta gera e nem tampouco as deficiências nas relações que acabam se tornando inevitáveis. Freud em uma de suas mais célebres frases disse que “O homem é dono do que cala e escravo do que fala.

Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo”. Isso quer dizer que, ao falarmos do outro, muitas vezes estamos inconscientemente falando de nós mesmos. Sempre que algo no outro te incomodar a ponto de gerar uma crítica, fique atento. Muitas vezes o que muito nos incomoda no outro pode estar refletindo algo sobre nós mesmos que ainda encontra-se em algum canto escuto do nosso eu, ainda não explorado.

Talvez as críticas sejam mesmo desnecessárias, visto que a aprendizagem se dá através de nós mesmos, da nossa vivência, dos nossos erros, da nossa observação e das nossas relações. Não se pode mudar o outro, mudamos apenas a nós mesmos e esse é o grande trabalho que temos. Quem está vivendo para criticar, acaba por perder a empatia e por danificar sua própria capacidade de amar incondicionalmente.

É fato que das críticas recebidas - mesmo das destrutivas - podemos extrair algum conhecimento útil acerca de nós mesmos e também aprendizado. É bom levá-las sempre em conta, pois, elas nos mostram um olhar diferente do nosso, porém, a cautela é sempre necessária. Aos pais e professores que têm a importante tarefa de educar e ensinar cabe se munir de muito afeto ao criticar, tentando sempre ser o mais construtivo possível e lembrar-se sempre de elogiar na mesma ou em maior medida; afinal de contas ninguém é totalmente bom, nem ruim. Somos um emaranhado complexo de pensamentos e sentimentos em movimento constante. Estamos todos aqui para aprender".




Viviane Battistella
Psicóloga, psicoterapeuta, especialista em comportamento humano. Escritora. Apaixonada por gente. Amante da música e da literatura..

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