sexta-feira, 11 de setembro de 2015


Mentiras


Ai quem me dera uma feliz mentira
que fosse uma verdade para mim!
J. DANTAS



Tu julgas que eu não sei que tu me mentes

Quando o teu doce olhar pousa no meu?

Pois julgas que eu não sei o que tu sentes?

Qual a imagem que alberga o peito meu?


Ai, se o sei, meu amor! Em bem distingo

O bom sonho da feroz realidade...

Não palpita d´amor, um coração

Que anda vogando em ondas de saudade!


Embora mintas bem, não te acredito;

Perpassa nos teus olhos desleais

O gelo do teu peito de granito...


Mas finjo-me enganada, meu encanto,

Que um engano feliz vale bem mais

Que um desengano que nos custa tanto!


Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"