quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Difícil?






DÍFICIL?

E de que mistura suculenta e arrebatadora se fazem os sonhos? Qual varinha mágica ou liquidificadora os torna irresistíveis e saborosos? São, talvez, para muitos, a força sensacional dos dias ou, então, a necessidade, simples e primária, de sobrevivência. São a vida que se faz vida dentro da própria vida de cada um.
Sonha-se com o olhar posto no infinito e com uma crença desmedida de ser possível trilhar um caminho de fadas e feitiços. É a magia de se ser criança e a garra de dias mais suaves – já os merecemos.
Sonha-se com abraços estendidos ao alto, numa tentativa, quiçá eterna, de se disfarçar a saudade com a pequenez da grandeza humana. São antídotos de alma cheia – como os dias. Sublimes. Avalanches gratinadas de humor, numa entrega de luta incessante e de realizações que hão de vir. Como se o amanhã fosse o melhor dos tempos e a emancipação da saudade. Numa orgânica sentimental de quem sobrevive num auspício descomovido.
E sonha-se para que as forças ganhem asas e voem lá bem alto. Em ventanias de Norte Sul para os lados de um Este qualquer - que se transforma em Oeste quando o cedo não se faz tarde.
Difícil? Mas nunca nos disseram que seria simples.

João Nuno Baptista