quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Uma ida à praia. Vista pela mãe e pelo pai.







CRÓNICA DA MÃE:

Ontem acordei às 7.30. Não foi bom, nem mau. Foi um dia normal para a Clara (porque podia ter sido as 8 ou às 6.30…)

Tinha combinado ir para Tróia ter com uns amigos.

Longe vão os tempos que não fazia muita coisa com a Clara. Ora porque ela era muito pequena ora porque é uma trabalheira sairmos à rua com eles, durante o primeiro ano da vida dela não me aventurava assim. Mas agora tudo é diferente. Porque percebi que o prazer é maior e mais valioso que o trabalho. E eu já me tornei muito boa nisto.

Liguei para as minhas amigas. “Está bom tempo?” “Sim. Mas atravessa a pé e deixa o carro em Setúbal, traz só o carrinho da Clara.”

Hum…carro + carrinho + almoço + roupa… ok, já me organizo, pensei.

Pensei em ir correr enquanto não ia mas achei melhor adiantar as coisas. Fiz uma máquina de roupa, arrumei a louça e preparei-nos.

1 mochila com roupa e fraldas (com que ando sempre por isso está sempre pronta acrescentei apenas mais 1 muda além da que está lá sempre)
1 saco grande de praia gigante (foi só meter as toalhas porque estavam a secar. Já lá estão os cremes protectores.)
2 lancheiras pequenas. 1 de frigorifico outra de praia. Havia ai um resto do jantar de peixe e batatas. Sopa. Bananas e iogurtes e bolachas. Cabe tudo no saco de praia gigante.
Enfio ainda no saco grande um saco pequeno só com a minha carteiras e chaves.
Quando chego ao destino enfio ainda lá para dentro o balde, pá, ancinho e outras colectâneas de brincar na praia.

Enchi a miúda de creme e vesti o biquini. 30/45 minutos estávamos na estrada.

Cheguei a Setúbal e ainda tinha de atravessar. Esta parte era novidade para mim: tenho optimizado o kit mochila às costas + saco num braço e Clara no outro. O carro é pesado e acreditava-me uma estrutura. Até que percebi que se meter os sacos no carrinho estamos prontas para ir.

Atravessámos. Um passeio bonito que não fazia há muito.

Chegámos à praia. Fomos dar uns mergulhos com a tralha toda pois estavam todos na praia.
Fomos para casa. Almoçámos. As crianças brincaram. Depois dormiram.
Voltámos para a praia.
Pôs-se a hipótese de dormirmos lá. Não tinha biberões. Arranjava-se. Não tinha shampoo. Emprestavam-me.
Mas sei que a Clara ia gostar de ver o pai de manhã e vice-versa.

Banho e jantar à Clara. Mete tudo no carrinho. Barco das 21.30. Brincámos às escondidas no barco. Carro em Setúbal às 22. Casa às 22.45.

Sim, antes de ser mãe podia demorar hora e meia a arranjar-me. Experimentar várias cores de sapatos. Malas. Colares. Perfume. Penteado.

Agora? Agora consigo despachar-me a mim e à Clara e ainda ter de esperar pelo pai dela :p

Sobre os pais? Nenhum poderia ter escrito esta história porque os homens não são capazes de se organizar bem num curto espaço de tempo: ou não levam nada e a criança passa fome ou levam tudo e saem de casa à meia noite… Além de que a maior parte deles ainda deve estar a pensar porque fiz eu uma máquina de roupa antes de sair de casa…

CRÓNICA DO PAI:

Odeio praia! Ponto!

Odeio todo o conceito de passar as passas do algarve (expressão mesmo a preceito…) só para me deitar no chão (pelo menos já estou deitado quando falecer de calor…) a levar com o sol na tromba e de vez em quando ir molhar-me todo com água gelada! E não me venham dizer que a água no Sul é quente! Quanto mais é menos gelada que as do Norte… Por fim e com um pouco de sorte ainda se é presenteado com um ou outro grão de areia em cheio na retina caso haja crianças por perto ou sempre que o vento esteja de feição…

E ver-mo-nos livres da areia?! Boa sorte… Primeiro do corpo depois dos “chanatos” e por fim do cabelo… No fim, passam-se dias e ainda é possível sentir os grãos espalhados pelo chão da casa ou nas “frinchas” do sofá!

Por mim, toca a semear relva nos areais, construir uma cobertura e instalar ar condicionado… Uma piscina de água muuuuuito menos gelada também vinha a calhar se não for pedir muito, claro…

Mas calma que isto ainda vai a meio…

Depois há a Mulher com quem casei! Bem sei que foi com ela que decidi passar o resto dos meus dias mas chiça! Para onde quer que se vá lá vem metade da casa conosco… Malas gigantescas, sacos IKEA (sim, aqueles azuis que quase servem de tenda…) atulhadinhos de coisas e coisinhas, comida para um regimento e… Lá bem no fundo, um saquito com as minhas coisas.

Para a praia a coisa não é muito diferente… Guarda sol, tapa vento, saco todo catita com as toalhas (para aqui o do ikea já é foleiro e não serve), saco ainda mais catita com o lanche (tenho a impressão que a única vez que se lancha nesta casa é mesmo quando se vai para a praia…) Enfim…

E estacionar?! Nem vale a pena falar…
Muda-mo-nos há uns anitos para a frente da praia e adivinhem só, passámos a frequentar outra a uns quilómetros de distância… Mais uma vez, enfim…

Para mim toda esta experiência é do mais ridículo que há, ou pelo menos, era…

Agora, basta-me saber que vou ver aquele sorriso na cara da Benedita enquanto brinca com a areia e levo as “trouxas” todas com todo o prazer. Isto de ter filhos tem muito que se lhe diga…

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