quarta-feira, 8 de julho de 2015

Rosas Bravas

Poema escolhido para ser dito no funeral da Dona Maria Barroso, poema da sua preferência e que ela mesma o dizia muitas vezes. Que descanse em paz.

1925-2015


Camilo Pessanha – “Rosas brancas”


08.07.2013

Floriram por engano as rosas bravas No Inverno:

veio o vento desfolhá-las… Em que cismas, meu
bem? Porque me calas As vozes com que há pouco
me enganavas?

Castelos doidos! Tão cedo caístes!… Onde vamos,
alheio o pensamento, De mãos dadas? Teus olhos,
que um momento Perscrutaram nos meus, como vão
tristes!

E sobre nós cai nupcial a neve, Surda, em
triunfo, pétalas, de leve Juncando o chão, na
acrópole de gelos…

Em redor do teu vulto é como um véu! Quem
as esparze – quanta flor! – do céu, Sobre nós
dois, sobre os nossos cabelos?