terça-feira, 7 de julho de 2015

As conversas são como as cerejas...





"As conversas são como as cerejas: umas arrastam as outras. De um episódio se passa ao seguinte e a mais outro, que se complementam ou, até, se opõem. Com sentido crítico assertivo e, também, como acontece muito, com ligeireza, se fala de tudo sabendo ou não do assunto. É uma necessidade dizer coisas com verdade ou mentira. A presença de alguém quase que obriga a um diálogo que é, muitas vezes, apenas um modo de estar em que o silêncio é o inimigo que não se deseja. Não falar quando se está com alguém é dizer tanto, sem dizer nada. Uma palavra, um sorriso, um olhar, um gesto completam curtas ou longas narrativas. E porque a comunhão com alguém que não tem nada a acrescentar é desmotivante, as conversas deixam de ser apelativas e acabam, quando se esgota a vontade de ouvir o outro ou de dizer seja o que for. E nos afastamos. De vez. Ou nos arrastamos. Muitas vezes."
João Alfaro

Visto em http://joaoalfaro.blogspot.pt/