segunda-feira, 27 de julho de 2015


Amor Vivo


Amar! mas d'um amor que tenha vida...

Não sejam sempre tímidos harpejos,

Não sejam só delirios e desejos

D'uma douda cabeça escandecida...




Amor que vive e brilhe! luz fundida

Que penetre o meu ser — e não só beijos

Dados no ar — delírios e desejos —

Mas amor... dos amores que têm vida...




Sim, vivo e quente! e já a luz do dia

Não virá dissipa-lo nos meus braços

Como névoa da vaga fantasia...




Nem murchará do sol á chama erguida...

Pois que podem os astros dos espaços

Contra débeis amores... se têm vida?




Antero de Quental, in 'Sonetos'