sábado, 25 de julho de 2015


A Ponte Entre a Paixão e o Amor


Estarmos apaixonados por alguém não significa que estejamos prontos a amar essa pessoa para toda a vida. Quando estamos apaixonados entramos numa dimensão acima do nosso ser, levitando por um tempo indeterminado, receosos de que mais tarde ou mais cedo essa paixão poderá acabar. Embarcamos nesse voo seduzidos pelo nosso espírito sonhador, que magnifica todos os momentos vividos, inspirados pelo objecto da nossa paixão. Essa paixão faz tábua rasa de muitas das nossas convicções, leva-nos a que construamos uma imagem de nós próprios que seja o mais possível amável por quem amamos, e que, estando igualmente apaixonado por nós, constrói também uma imagem ideal de volta.









O amor começará a surgir, se e quando, a pouco e pouco, as nossas máscaras forem caindo, de forma natural, e a paixão se mantenha. Degrau a degrau, vamos descendo da levitação, e continuando a gostar, ou a gostar ainda mais, da personalidade, do espírito, da alma de quem amamos, e, sobretudo, na construção da cumplicidade entre os dois. O amor consolida-se e materializa-se na simplicidade. Quando é suficiente que um e outro existam em cada momento, quando gozam da presença um do outro sem pressas e sem excessos, quando esse amor deixa de ser um meio para passar a ser um fim em si mesmo, quando se deseja continuamente o inalcançável invisível de cada um de nós. Quando o silêncio é comunhão e não solidão, quando sentimos que o nosso viver em conjunto amplifica todos os nossos sentidos e o sentido da nossa vida.




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Imagem: Uma Cidade de Amor e Esperança - Ai To Kibo No Machi