sábado, 27 de junho de 2015

Saltos altos

Moda
Colaboração: Jussara Dutra Izac

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Salto alto é trunfo das mulheres bem vestidas no trabalho
Foto de sapato com salto alto
Difícil explicar a estranha atração que existe entre mulheres e sapatos de salto? Nem tanto. “O salto muda tudo em uma mulher, ela fica mais elegante, mais sofisticada, aumenta a auto-estima; parece que tudo vai para cima”, diz Isabel Granha, design de interiores. Além dos centímetros extras, o salto modela a postura, levanta o bumbum, emagrece e torna o caminhar mais elegante. Sem mencionar que é componente básico do uniforme de trabalho de mulheres do mundo todo, por obrigação ou por opção. “O salto tem o poder de mudar o visual do despojado para o fino”, diz a jornalista Aline Sanromã, - “Usar uma calça jeans, uma blusinha básica e um salto alto é certeza de elegância”.

Mas não é fácil pisar macio: “60% a 70% dos problemas femininos relacionados aos pés têm alguma ligação com o uso de sapatos altos, apertados ou de bico fino”, informa Dr. Fábio Ravaglia, médico ortopedista, presidente do Instituto Ortopedia & Saúde. Ao longo do tempo, os saltos mudam a conformação dos pés, porque alteram a maneira como as mulheres pisam. Equilibrando-se no salto, a concentração do peso fica restrita aos dedos. Além disso, a musculatura da perna pode se alterar, causando um encurtamento dos músculos posteriores (panturrilha).


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Dores no joelho, calos, joanetes, tendinites e danos à coluna também pode ser decorrentes do uso contínuo do salto. “Dificilmente as mulheres vão abrir mão desse acessório que é símbolo de feminilidade – não importa o quanto elas saibam a respeito dos efeitos nocivos dos saltos altos para a saúde”, diz Dr. Ravaglia, que atende entre 15 e 20 mulheres por mês com problemas relacionados aos saltos. “Calosidades na sola, na parte de trás dos pés, ou pequenos calinhos conhecidos como corn (parecem grãozinhos de milho), que aparecem entre os dedos, podem surgir nos pés de qualquer mulher, mas a joanete só se desenvolve em quem possui um antecedente congênito”, tranqüiliza o médico. Os sapatos de bico fino e saltos podem apenas desencadear esse problema.

Regina Bittar é assistente da presidência da Baxter International Inc., empresa da área de saúde, e anda de salto há pelo menos 12 anos. Não é uma exigência, mas ela sente-se melhor quando está equilibrada sobre um salto fino com mais de 5cm. “Sem dúvida eles dão mais presença, mais impacto, e as pessoas percebem que você está bem arrumada”, diz Regina. O uso de sandálias e rasteirinhas não é aconselhado na empresa, mas a assistente poderia usar sapatinhos baixos ou de solados lisos se quisesse. “Esses sapatos não causam a mesma impressão, e preciso estar elegante todos os dias”.

Regina tem mais de 40 pares de sapatos, quase todos com salto superior a 5cm. Dores nas pernas não fazem parte de sua rotina: “estou acostumada, não tenho problemas”, conta. E sente-se tão confortável que muitas vezes esquece de tirar o salto quando chega em casa. Isabel também não se incomoda. Há mais de 20 anos usando salto, só sente dores se coloca um calçado baixinho. Mas prefere os altos, de qualquer tipo: agulha, fino, quadrado. “Até meu chinelinho de quarto tem salto”, confessa a design, que tem mais de 120 pares de sapatos, e afirma que usa todos.

O desconforto causado por calçados baixos se explica, diz Dr. Ravaglia, pelo encurtamento do tendão de Aquiles. Cíntia Andrade é assistente de RH da Baxter. Usa salto todos os dias, e gosta muito. De salto, não sente dores, mas quando coloca tênis, ela conta que sente cãibras, tem que fazer alongamento e sofre um pouco. “O ideal é fazer alongamentos diários, para evitar o encurtamento”, indica o médico.

No inverno, com o aumento do uso de sapatos fechados, os problemas se tornam mais comuns. Os pés incham, e não se pode usar sandálias (que deixam o pé respirar melhor) por causa do frio e da umidade. “Isso acontece muito em países frios” – comenta Dr. Ravaglia, – “acompanhei muitos casos de joanetes, deformidades e calosidades causadas por sapatos durante o tempo em que trabalhei na Inglaterra”.

Aline usa salto praticamente todos os dias, e sente alguns incômodos decorrentes desse costume. “Às vezes sinto uma dorzinha no pé, na coluna; também fico um pouco cansada quando tenho que subir escadas, andar muito”, diz a jornalista, que trabalha em Brasília. “Mas nada que me tire do sério”. Como é baixinha, Aline diz que não fica sem o salto, mas prefere as plataformas. “Nada de salto agulha para ir ao trabalho”, brinca. Sem saber, ela segue uma recomendação médica: as plataformas distribuem melhor o peso do corpo, diminuindo os efeitos nocivos.

Conversa Pessoal


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