segunda-feira, 15 de junho de 2015

Agressividade verbal







A agressividade verbal não tem menos desrespeito que a física.

Se há palavras que são lindas e que nos fazem sentir bem só pela sua sonoridade, há outras, que só a sua escrita e verbalização semeiam a agressão por serem tão tóxicas e corrosivas.

Isto de se ser livre, não é dizer-se tudo o que se pensa. Muitas vezes, camuflada na aparente liberdade de tudo poder dizer, corremos o risco de magoar,ridicularizar e invadir o espaço e a liberdade do outro. Há muitas formas de dizer a mesma coisa. De passar uma ideia. Uma forma de vida. É impossível vivermos todos da mesma maneira e partilharmos as mesmas opiniões e filosofias de vida. E nestas partilhas, muitas vezes defendemos uma falsa liberdade camuflada em falta de educação com excesso de ego.
“Ser pela liberdade não é apenas tirar as correntes de alguém, mas viver de forma que respeite e melhore a liberdade dos outros” dizia Nelson Mandela. Bem sabemos que diferenças vai haver sempre. Fruto do que somos e do que queremos. Mas seria importante, para todos nós, substituirmos e aprendermos a sermos livres sem desrespeitar a liberdade dos outros.
Cada um com a sua razão. Mas todos com igual liberdade.

Não temos de ser amigos nem gostar de todos. Não temos de conseguir empatizar com outros tantos. Pode mesmo ser difícil fazê-lo. Não temos de deixar de dizer o que pensamos. Podemos e devemos assumir a nossa diferença, se esse for o desejo de liberdade interna. No entanto, a liberdade traz sempre o respeito, a consciência e aceitação. A minha liberdade acaba onde começa a do outro e não pode ser manifestada em falta de educação e princípios.
Que a evolução humana seja dotada de aceitação, mesmo que esta seja aceitar que há outras pessoas que não pensam nem vivem como nós, sem a necessidade de ridicularização e gozo disfarçada tanta vez em excesso de humor. Se é para rir, então comecemos por nos rir, de nós próprios.

Diana Gaspar Duarte
Psicóloga