domingo, 31 de maio de 2015

Cansaço




Fecho os olhos, a noite vai longa, e o cansaço apodera-se do meu corpo. Ali, deitada no escuro, de olhos fechados, a minha mente parece querer libertar-se do corpo, como se também ela estivesse cansada desta pequena prisão onde vive há imensos anos. Sinto-me levitar, como se fosse provida de asas, elevo-me no ar e vejo em baixo o corpo abandonado sobre a cama. Os meus sentidos focam-se agora no caminho que pretendo percorrer, olho para o céu escuro, pontilhado de pequenas luzes e escolho uma. A uma velocidade inimaginável sou transportada pelo espaço fora, cruzando-me com planetas e estrelas, galáxias e buracos negros, numa viagem fantástica, numa corrida louca, numa fuga apertada à trivialidade de um quotidiano, amarrada pela força da gravidade a uma terra que nada me diz, a uma vida que nada me trás, a um rumo sem destino. Fujo, não só pelo cansaço, mas também pela curiosidade, para uma galáxia distante, onde os mundos são, completamente irreais e as pessoas não existem. Procuro vagamente o isolamento, numa travessia do deserto da vida, como que de uma purga se tratasse, uma terapia.


O meu corpo, acompanha as batidas do relógio com as pancadas do coração que irriga toda a área, jaz imóvel e tranquilo, vazio e abandonado, enquanto o meu espírito, no seu refúgio se encerra, e descansa de mais um dia, que apenas de ofereceu breves minutos para sonhar....

Autor: Luz&Sombra



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